Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Quase ressurreição em João Pessoa

Mui recentemente, um blog jornalístico de João Pessoa deu a notícia de que uma aposentada estava há três dias morta, mas não fora sepultada porque não apresentara sinais de putrefação e que tais... a "defunta" havia dito, antes de morrer, que não queria que ninguém tocasse nela até o final do terceiro dia, pois "ressuscitaria". Bom, ocorre que a médica que a atendeu disse que nos três dias o corpo dela não enrijeceu, não apodreceu, não apresentou sinais de morte.
Veja: Agência Globo; WSCOM; UAI; BR360GRAUS, DN ONLINE, entre outros.
Unindo essas informações temos: 1. a mulher era doente; 2. a mulher era evangélica; 3. a mulher era solteirona e criava um sobrinho; 4. a mulher era idosa; 5. a mulher era pentecostal e profetisa; 6. a mulher disse, antes de morrer, que ninguém tocasse no seu corpo; 7. o seu corpo não entrou em decomposição nos 3 dias; 7. a mulher disse (?) que ressuscitaria ao terceiro dia; 8. a mulher não ressuscitou ao terceiro dia; 9. a médica que a atendeu é evangélica da mesma igreja; 10. ela agora está no céu.
No céu, ela encontra Jesus:
IVANEIDE (munida do seu novo nome na pedrinha branca): Jesus, que bom vê-lo. Há quanto tempo que anelo ver sua face, beijá-lo, adorá-lo de perto...
JESUS (descendo de seu trono, aparentando bondade, mas descontentamento): *** (o novo nome dela), você não deveria ter dito que ressuscitaria, minha filha... Isso não aconteceu.
IVANEIDE: Mas, Jesus, o Senhor me disse isso.
JESUS (irritado): Eu, não! Se tivesse dito, você acha que estaria agora comigo? E para qual fim eu faria isso? Para você virar uma santa, haver peregrinações e tutti quanti? (agora, calmo e com um leve sorriso no rosto) Bom, já passou. Mas vocês, pentecostais, me dão trabalho, hein?
..........................
Sabe, eu sei porque ela teve esse sonho: Era virgem. 66 anos e virgem. Como diz a minha mulher, "virgem só serve para sacrifício, mesmo". Teve alucinações. Deus, por misericórdia, fez com que o corpo dela não se estragasse por três dias, aí temos um milagre, um portento, um δύναμις. Onde estavam os livores de hipóstase? Seria bom que legistas examinassem o corpo dela, e se pronunciassem sobre o caso.
Ivaneide, agora, está muito bem, graças a Deus.
Uma ressurreição em João Pessoa-PB cairia muito bem. No hino do município de João Pessoa está escrito:
bravo filho do sertão
toda Pátria espera um dia
a sua ressurreição
Gente, Ivaneide ia ser o nosso São Sebastião ressurreto (segundo pensava Pe. Antônio Vieira), mas um sebastião de saias e evangélico - para escândalo dos católicos. Cruzes!
Quarta-feira, Setembro 09, 2009
Quando morre uma criança
"Menininha que iluminou este mundo tantas vezes
feio e cruel, você vai continuar entre nós, na memória
de sua passagem breve como a de uma lanterna mágica
que vara o céu"
Diz um filósofo que toda morte de uma criança é a refutação da existência de Deus. Eu acho que cada morte de uma criança enfatiza o mistério no qual estamos mergulhados, e que não é silencioso: ele fala alto. Então nos atordoamos para não ouvir, fugimos dele para não o perceber, recorremos a mil atividades e distrações numa agitação insana – horários, compromissos e prazeres, buscamos e perdemos, corremos e não chegamos nunca, nem sabemos aonde queremos ir.
Eu nunca tinha visto uma criancinha morta. Nunca tinha ido ao velório de uma, e quase me acovardei, quase não fui. Mas o carinho pela família, e por essa menininha que tantas vezes vi correndo e brincando, com a qual tive alguns diálogos deliciosos, me deu coragem. E fui. Alguém murmurou: parece uma boneca numa caixinha. Ela, a pequena, serenada do sofrimento que ocupou quase todo o espaço dos seus poucos anos, dormia o seu sono enigmático. Nós, adultos de todas as idades, chorávamos. Uns pela perda da pessoazinha amada, outros condoídos pela dor dos amigos, outros, ainda, esmagados pela fragilidade que a doença, o sofrimento e a morte nos fazem sentir.
Amor e devoção imensos iluminaram a vida dessa criança e a todos ao redor. Esse foi talvez o legado maior que a menininha que partiu nos deixou: ao lado da dor e da aniquilação, do desespero e do medo, também existem o bom, o belo, o forte, o amoroso, a devoção e a lealdade – mesmo que tanta coisa fora de nós, de nossa casa e nossas amizades nos pareça decadente ou ameaçadora. Pois todo dia ao acordar somos assaltados por notícias que causam melancolia ou indignação, visões de cinismo, conchavos perversos, desprezo pela honra e falta de modelos positivos. Pouco se faz. Nada se faz. Vivemos ao ritmo desse triste refrão: "as coisas são assim mesmo", "é a vida", "política é isso", "impossível administrar a violência", "o narcotráfico manda em toda parte", "uma maconhazinha só não faz mal", "ninguém tem nada a ver com minha vida", "não adianta querer mudar", e assim por diante.
Por toda parte, famílias em crise. Pais omissos ou ocupados demais não sabem o que fazem filhas de 10 anos em festinhas sem o cuidado de adultos; pré-adolescentes transam, curtem bebida, maconha ou drogas pesadas, depois que o primeiro cigarrinho abriu as portas. Numa grande festa, jovenzinhos bêbados ou drogados vomitam ou dormem nos banheiros de um clube elegante. Adultos passam cuidando para não sujar os sapatos. Só acontece algo quando uma dessas crianças passa realmente mal, e é preciso chamar a ambulância. Onde estão os pais? Vão me achar rigorosa demais, mas eu insisto: onde estão os pais? Sabem onde andam os filhos, com quem convivem nas longas horas fora de casa, têm consciência do quanto são responsáveis? Este é um dos dramas da maternidade e paternidade: teve filho, é responsável. Quem ama cuida. E que seja com alegria, ou não vale. Não funciona. É de mentira.
Escrevo essas coisas rudes, pelo seu contraste com meu verdadeiro assunto: uma criança, enferma a maior parte de sua vida, e sua família provaram que neste mundo também existe verdadeiro amor, que é dedicação. Sem saber, ela ensinou os outros a ser ainda mais unidos e mais amorosos, eles que tudo dariam para preservar a luz daquele seu tesouro, mas tiveram de se render ao destino, à enfermidade, à morte – não importa o nome. Junto com o sofrimento, ficaram para sempre a claridade, a doçura e a força que vão continuar emanando dessa dura experiência transformadora, e daquela figura travessa, inquieta, corajosa, de grandes olhos escuros que me fitaram tão sérios quando lhe perguntei brincando:
– Você não quer um dia desses dar uma volta comigo na minha vassoura de bruxa?
Sem traço de dúvida ou hesitação, ela disse:
– Eu quero!
Menininha que iluminou este mundo tantas vezes feio e cruel, você vai continuar entre nós, na memória de sua passagem breve como a de uma lanterna mágica que vara o céu. Mas esse passeio eu fiquei te devendo. Um dia, quem sabe, quando todos formos poeira de estrelas.
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Marxismo Cultural - Pe. Paulo Ricardo
Marxismo Cultural
“Um convite para uma palestra a respeito de Marxismo, para muitos pode soar como um convite para uma aula de arqueologia, para um encontro com um pensamento do passado, ou ultrapassado. Vamos, mesmo assim, vamos falar de Marxismo. Mas por quê? Antes de tudo é necessário esclarecer que o tema desta palestra não é o Marxismo clássico, e muito menos o Marxismo do próprio Karl Marx, o pensamento marxiano…”
Terça-feira, Agosto 25, 2009
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Da inconstitucionalidade da dedicação exclusiva

Dedicação exclusiva: punição ou recompensa?
José Luiz Quadros de Magalhães *
regime de dedicação exclusiva é objeto de uma discussão de longa data na Universidade. A antiga e bastante razoável reivindicação do curso de Direito pela admissibilidade de um regime de 40 horas sem dedicação exclusiva não vem sendo atendida. Há, inclusive, a tese da inconstitucionalidade deste regime, incompatível com a liberdade de trabalho constitucional: como pode o Estado proibir a pessoa de utilizar o seu tempo livre além das 40 horas semanais como bem entender, inclusive trabalhando e produzindo? Parece que a dedicação exclusiva tornou-se uma pena imposta ao professor e não uma recompensa, pois, ou o professor aceita o regime de 40 horas com dedicação exclusiva ou é obrigado a trabalhar em regime de vinte horas recebendo uma remuneração ultrajante. E acrescente-se que, se é exigida exclusividade do professor para aquela instituição, que se pague muito bem por ela. Vender a liberdade deveria pelo menos recompensar financeiramente. Mas pode o Estado controlar o tempo livre do seu servidor?
Esta discussão antiga, tratada de maneira uniformizadora e, logo, incorreta e injusta, pois ignora a grande variedade de realidades da Universidade, deve agora ser retomada de maneira realista e responsável, pois a manutenção da proibição do regime de 40 horas sem a inconstitucional dedicação exclusiva pode significar o comprometimento radical da qualidade de determinados cursos como os de Direito. Os dados extraídos da realidade dos cursos de Direito das universidades federais são, neste sentido, contundentes. É grande o número de pedidos de demissão e, maior ainda, o numero de professores que abandonam o regime de dedicação exclusiva, optando pelo de 20 horas. Isto porque as entidades privadas vem intensificando a procura por professores titulados. Estes, por mais idealistas que sejam, têm direito de ver seu trabalho retribuído financeiramente de maneira justa ou, no mínimo, menos injusta. Este fato na área de Direito é especialmente preocupante.
O trabalho do professor universitário envolve ensino, pesquisa e extensão. Nestas atividades há uma enorme variedade de realidades na diversidade que representa a Universidade. Alguns professores trabalham no laboratório, batendo o antiquado e ultrapassado ponto (existem outros adjetivos). Muitos entram noite adentro. Outros professores pesquisadores, pela característica das pesquisas que realizam, preferem trabalhar em casa, diante do computador e tendo como companheiros os livros, durante a madrugada, nos fins de semana, ou a qualquer hora. Geralmente, até mesmo nas férias, quando um bom livro e um computador portátil são companhias indispensáveis para alguns, mesmo na praia.
Quando refletimos sem preconceito e com a cabeça aberta, percebemos como é estúpido o controle de ponto e o regime de dedicação exclusiva para os professores universitários. Entretanto, já que vivemos em uma sociedade em que é necessário controlar, controlar, controlar, e a eficiência mede-se por números (a lógica capitalista da quantidade, quanto mais melhor), a maneira mais razoável para se controlar o professor é o controle de resultados (a produtividade), e não o controle do tempo (que nem o capitalismo faz mais).
Finalmente gostaria de terminar esta reflexão com uma observação: um outro equívoco cometido com freqüência nas universidades é a generalização do que não pode nunca ser generalizado. Por que tratar de maneira igual o que é diferente? Ora, alguns liberais do século 19 já reconheciam a necessidade de aplicar o princípio da igualdade com eqüidade, tratando desigualmente os desiguais na medida da sua desigualdade. Toda generalização é equivocada, assim como a unanimidade é burra.
Não se pode, em uma Universidade do porte e importância da UFMG, adotar políticas generalizadoras. A realidade do ensino, pesquisa e extensão em áreas como Direito, Biologia, Física, Matemática, Computação, Engenharia, Ciência Política, História, Letras etc., é por vezes, e por motivos óbvios, completamente diferente. Logo, como tratar igualmente realidades tão distintas? Um exemplo: como dizer que o professor pode no máximo orientar oito pesquisadores? Qual a formula mágica que apontou este resultado? Será arbitrário este número em um espaço universitário onde não deveria haver arbitrariedades?
A capacidade de orientação de cada professor não depende necessariamente da área de conhecimento, mas, essencialmente, do método e capacidade de trabalho de cada um. Por que tanto controle? Por que tantos limites? Será que nós nos achamos não confiáveis? Deixo estas indagações para reflexão.
*Professor e coordenador dos cursos de Pós-Graduação em Direito da UFMG
Fonte: Boletim 1253, de 13.10.1999, da UFMG.
Homossexuais podem mudar

"Preciso continuar a atender as
pessoas que voluntariamente desejam
deixar a atração pelo mesmo sexo"
Aceitar as diferenças e entender as variações da sexualidade são traços comuns das sociedades contemporâneas civilizadas. A psicóloga Rozângela Alves Justino, 50, faz exatamente o contrário. Formada em 1981 pelo Centro Universitário Celso Lisboa, do Rio de Janeiro, com especialização em psicologia clínica e escolar, ela considera a homossexualidade um transtorno para o qual oferece terapia de cura. Na semana passada, foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia (formado, segundo ela, por muitos homossexuais "deliberando em causa própria") e impedida de aceitar pacientes em busca do "tratamento". Solteira, dedicada à profissão e fiel da Igreja Batista, Rozângela diz que ouviu um chamado divino num disco de Chico Buarque e compara a militância homossexual ao nazismo. Só se deixa fotografar disfarçada, por se sentir ameaçada, e faz uma defesa veemente de suas opiniões. "Homossexuais podem mudar"
A psicóloga repreendida pelo conselho federal por anunciar que muda a orientação sexual de gays diz que ela é quem está sendo discriminada
Juliana Linhares
A senhora acha que os homossexuais sofrem de algum distúrbio psicológico? O Conselho Federal de Psicologia não quer que eu fale sobre isso. Estou amordaçada, não posso me pronunciar. O que posso dizer é que eu acho o mesmo que a Organização Mundial de Saúde. Ela fala que existe a orientação sexual egodistônica, que é aquela em que a preferência sexual da pessoa não está em sintonia com o eu dela. Essa pessoa queria que fosse diferente, e a OMS diz que ela pode procurar tratamento para alterar sua preferência. A OMS diz que a homossexualidade pode ser um transtorno, e eu acredito nisso.
O que é não estar em sintonia com o seu eu, no caso dos homossexuais? É não estar satisfeito, sentir-se sofrido com o estado homossexual. Normalmente, as pessoas que me procuram para alterar a orientação sexual homossexual são aquelas que estão insatisfeitas. Muitas, depois de uma relação homossexual, sentem-se mal consigo mesmas. Elas podem até sentir alguma forma de prazer no ato sexual, mas depois ficam incomodadas. Aí vão procurar tratamento. Além disso, transtornos sexuais nunca vêm de forma isolada. Muitas pessoas que têm sofrimento sexual também têm um transtorno obsessivo-compulsivo ou um transtorno de preferência sexual, como o sadomasoquismo, em que sentem prazer com uma dor que o outro provoca nelas e que elas provocam no outro. A própria pedofilia, o exibicionismo, o voyeurismo podem vir atrelados ao homossexualismo. E têm tratamento. Quando utilizamos as técnicas para minimizar esses problemas, a questão homossexual fica mínima, acaba regredindo.
Há estudos que mostram que ser gay não é escolha, é uma questão constitutiva da sexualidade. A senhora acha mesmo possível mudar essa condição? Cada um faz a mudança que deseja na sua vida. Não sou eu a responsável pela mudança. Conheço pessoas que deixaram as práticas homossexuais. E isso lhes trouxe conforto. Conheço gente que também perdeu a atração homossexual. Essa atração foi se minimizando ao longo dos anos. Essas pessoas deixaram de sentir o desejo por intermédio da psicoterapia e por outros meios também. A motivação é o principal fator para mudar o que quiser na vida. A senhora é heterossexual? Sou. Pela sua lógica, seria razoável dizer que, se a senhora quisesse virar homossexual, poderia fazê-lo. Eu não tenho essa vivência. O que eu observei ao longo destes vinte anos de trabalho foram pessoas que estavam motivadas a deixar a homossexualidade e deixaram. Eu conheço gente que mudou a orientação sem nem precisar de psicólogo. Elas procuraram grupos de ajuda e amigos e conseguiram deixar o comportamento indesejado. Mas, sem dúvida, quem conta com um profissional da área de psicologia tem um conforto maior. Eu sempre digo que é um mimo você ter um psicólogo para ajudá-lo a fazer essa revisão de vida. As pessoas se sentem muito aliviadas. Esse alívio não seria maior se a senhora as ajudasse a aceitar sua condição sexual? Esse discurso está por aí, mas não faz parte do grupo de pessoas que eu atendo. Normalmente, elas vêm com um pedido de mudança de vida. Se um homem entrar no seu consultório e disser que sabe que é gay, sente desejo por outros homens, só precisa de ajuda para assumir perante a família e os amigos, a senhora vai ajudá-lo? Ele não vai me procurar. Eu escolho os pacientes que vou atender de acordo com minhas possibilidades. Então, um caso como esse, eu encaminharia a outros colegas. Não é cruel achar que os gays têm alguma coisa errada? O que eu acho cruel é ser uma profissional que quer ajudar e ser amordaçada, não poder acolher as pessoas que vêm com uma queixa e com um desejo de mudança. Isso é crueldade. Eu estou me sentindo discriminada. Há diversos abaixo-assinados de muitas pessoas que acham que eu preciso continuar a atender quem voluntariamente deseja deixar a atração pelo mesmo sexo. Por que a senhora acha que o Conselho Federal de Psicologia está errado e a senhora está certa? Há no conselho muitos homossexuais, e eles estão deliberando em causa própria. O conselho não é do agrado de todos os profissionais. Amanhã ele muda. Eu mesma posso me candidatar e ser presidente do Conselho de Psicologia. Além disso, esse conselho fez aliança com um movimento politicamente organizado que busca a heterodestruição e a desconstrução social através do movimento feminista e do movimento pró-homossexualista, formados por pessoas que trabalham contra as normas e os valores sociais. Gays existem desde que o mundo é mundo. Aparecem em todas as civilizações. Isso não indica que é um comportamento inerente a uma parcela da humanidade e não deve ser objeto de preconceito? Olha, eu também estou sendo discriminada. Estou sofrendo preconceito. Será que não precisaria haver mais aceitação da minha pessoa? Há discriminação contra todos. Em 2002, fiz uma pesquisa para verificar as violências que as pessoas costumam sofrer, e o segundo maior número de respostas foi para discriminação e preconceito. As pessoas são discriminadas porque têm cabelo pixaim, porque são negras, porque são gordas. Você nunca foi discriminada? Não como os gays são. Não? Nunca ninguém a chamou de nariguda? De dentuça? De magrela? O que quero dizer é que as pessoas que estão homossexuais sofrem discriminação como todas as outras. Eu tenho trabalhado pelos que estão homossexuais. Estar homossexual é um estado. As pessoas são mulheres, são homens, e algumas estão homossexuais. Isso não é discriminação contra os que são homossexuais e gostam de ser assim? Isso é o que você está dizendo, não é o que a ciência diz. Não há tratados científicos que digam que eles existem. Eu não rotulo as pessoas, não chamo ninguém de neurótico, de esquizofrênico. Digo que estão esquizofrênicos, que estão depressivos. A homossexualidade é algo que pode passar. Há um livro do autor Claudemiro Soares que mostra que muitas pessoas famosas acreditam que é possível mudar a sexualidade. Entre eles Marta Suplicy, Luiz Mott e até Michel Foucault, todos historicamente ligados à militância gay. Quantas pessoas a senhora já ajudou a mudar de orientação sexual? Nunca me preocupei com isso. Psicólogo não está preocupado com números. Eu vou fazer isso a partir de agora. Vou procurar a academia novamente. Vou fazer mestrado e doutorado. Até hoje, eu só me preocupei em acolher pessoas. O que a senhora faria se tivesse um filho gay? Eu não teria um filho homossexual. Eu teria um filho. Eu iria escutá-lo e tentaria entender o que aconteceu com ele. Os pais devem orientar os filhos segundo seus conceitos. É um direito dos pais. Olha, eu quero dizer que geralmente as pessoas que vivenciam a homossexualidade gostam muito de mim. E também quero dizer que não sou só eu que defendo essa tese. Apenas estou sendo protagonista neste momento da história. A senhora se considera uma visionária? Não. Eu sou uma pessoa comum, talvez a mais simplesinha. Não tenho nenhum desejo de ficar famosa. Nunca almejei ir para a mídia, ser artista, ser fotografada. A senhora já declarou que a maior parte dos homossexuais é assim porque foi abusada na infância. Em que a senhora se baseou? É fato que a maioria dos meus pacientes que vivenciam a homossexualidade foi abusada, sim. Enquanto nós conversamos aqui, milhares de crianças são abusadas sexualmente. Os estudos mostram que os abusos, especialmente entre os meninos, são muito comuns. Aquelas brincadeiras entre meninos também podem ser consideradas abusos. O que vemos é que o sadomasoquismo começa aí, porque o menino acaba se acostumando àquelas dores. O homossexualismo também. A senhora é evangélica. Sua religião não entra em atrito com sua profissão? Não. Sou evangélica desde 1983. Nos anos 70, aconteceu algo muito estranho na minha vida. Eu comprei um disco do Chico Buarque. De um lado estavam as músicas normais dele. Do outro, em vez de tocarCarolina, vinha um chamamento. Eram todas canções evangélicas. Falavam da criação de Deus e do chamamento da ovelha perdida. Fui tentar trocar o LP e, na loja, vi que todos os discos estavam certinhos, menos o meu. Fiquei pensando se Deus estava falando comigo. O espírito cristão não requer que os discriminados sejam tratados com maior compreensão ainda? Se eu não amasse as pessoas que estão homossexuais, jamais trabalharia com elas. Até mesmo os ativistas do movimento pró-homossexualismo reconhecem o meu amor por eles. Sempre os tratei muito bem. Sempre os cumprimentei. Na verdade, eles me admiram. Por que a senhora se disfarça para ser fotografada? Um dos motivos é que eu não quero entrar no meu prédio e ter o porteiro e os vizinhos achando que eu tenho algum problema ligado à sexualidade. Além disso, quero ser discreta para proteger a privacidade dos meus pacientes. Por fim, há ativistas que têm muita raiva de mim. Eu recebo vários xingamentos; eles me chamam de velha, feia, demente, idiota. Trabalho num clima de medo, clandestinamente, porque sou muito ameaçada. Aliás, estou fazendo esta entrevista e nem sei se você não está a serviço dos ativistas pró-homossexualimo. Eu estou correndo risco. Que poder exatamente a senhora atribui a esses ativistas pró-homossexualismo? O ativismo pró-homossexualismo está diretamente ligado ao nazismo. Escrevi um artigo em que mostro que os dois movimentos têm coisas em comum. Todos os movimentos de desconstrução social estudaram o nazismo profundamente, porque compartilham um ideal de domínio político e econômico mundial. As políticas públicas pró-homossexualismo querem, por exemplo, criar uma nova raça e eliminar pessoas. Por que hoje um ovo de tartaruga vale mais do que um embrião humano? Por que se fala tanto em leis para assassinar crianças dentro do ventre da mãe? Porque existe uma política de controle de população que tem por objetivo eliminar uma parte significativa da nação brasileira. Quanto mais práticas de liberação sexual, mais doenças sexualmente transmissíveis e mais gente morrendo. Essas políticas públicas todas acabam contribuindo para o extermínio da população. Essas pessoas que estão homossexuais estão ligadas a todo um poder nazista de controle mundial. Não há certo exagero em comparar a militância homossexual ao nazismo? Bom, se você acha que isso pode me prejudicar, então tire da entrevista. Mas é a realidade. Fonte:
VEJA Edição 2125 . 12 de agosto de 2009

Sexta-feira, Julho 17, 2009
Mendigar não é mais crime
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses. (Revogado pela Lei nº 11.983, de 2009)
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de um sexto a um terço, se a contravenção é praticada: (Revogado pela Lei nº 11.983, de 2009)
a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento. (Revogado pela Lei nº 11.983, de 2009)
b) mediante simulação de moléstia ou deformidade; (Revogado pela Lei nº 11.983, de 2009)
c) em companhia de alienado ou de menor de dezoito anos. (Revogado pela Lei nº 11.983, de 2009)
Tudo o que está "atachado" é parte do falecido dispositivo da Lei. Ah, a Lei das Contravenções Penais, ainda viva, mas bastante desmoralizada, é o Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941.
Talvez a grande desculpa para não se levar em conta esta norma seja sua antiguidade. Uma lei (os decretos-leis têm força de lei, são como se leis fossem, por isso o chamarei assim) tão antiga certamente deverá ser sepultada ou emendada até perder a primitiva forma.
Bem, mendigos sempre os teremos conosco. O problema não são os mendigos propriamente ditos, mas "os que mendigam por OCIOSIDADE ou CUPIDEZ". Sim, senhor e sim, senhora. Os ociosos não podem mais ser punidos, sabem por quê? Porque este é o país do Bolsa Família, onde ninguém quer mais trabalhar para ganhar dinheiro, porque o Governo lhe dá a mesma soma, se ele ficar em casa, fazendo nada, por isso não se consegue mais empregado nas vinhas, nos canaviais... A ociosidade é festejada - mas não é um otium cum dignitate.
O ocioso, que mendiga, dá mau exemplo, arrasta-se sujo pelas ruas, estirando a mão desavergonhada para o povo que trabalha.
E o que mendiga por cupidez? Cupidez? Ninguém sabe mais o que é isso? É o sem-vergonha, o mau-caráter, o mal intencionado. É o cobiçoso, esta é a origem da palavra cupidez. Há alguns expertos que até percebem bem mais do que o cidadão comum, fazendo o quê? Mendigando. Mas o mais vil da revogação do artigo é a revogação também de suas divisões. Leia as letras "a", "b" e "c". Vou explanar, rapidamente, cada um. DE MODO VEXATÓRIO, AMEAÇADOR OU FRAUDULENTO. Ora, já me veio uma senhora, na rodoviária, certa vez, pedir dinheiro para viajar, porque havia perdido o dinheiro, o parente a esqueceu, etc. Outro dia, a encontrei em outra rodoviária, pedindo dinheiro, ela bem vestida... só que a história era outra, ia para outro destino, era oriunda de outra cidade. Na universidade, vez ou outra, aparece algum experto... Esses larápios, ladrões, vagabundos não serão mais importunados - aliás, não eram... agora é que não serão mesmo. MEDIANTE SIMULAÇÃO DE MOLÉSTIA OU DEFORMIDADE. Isto acontece muito. Mas esses sem-vergonhas não receberão sequer uma bronca da polícia. Já devem estar sabendo da revogação da norma que os punia. Para isso, são bem informados. Aliás, é gente muito inteligente, não são pobrezinhos. EM COMPANHIA DE ALIENADO OU DE MENOR DE 18 ANOS. Isto foi o fim da picada. Presidente da República, o senhor, com todo o respeito, assinou a Lei sem a ler? Então, alguém pode usar de um doente mental ou de uma criança para pedir esmolas e não é punido? Esta lei merece uma ADIN. E o Estatuto da Criança e do Adolescente, Ministro Tarso Genro?
Agora, o mendigo sério, o pobre que não tem mais opção e que, envergonhadamente, me estira a mão, suplicante, este agora será confundido com os bandidos.
"Quem sair por último, apague as luzes".
ANTES DA POSSE
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.
DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA
Fonte desconhecida
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Não houve "Golpe de Estado" em Honduras

Graça Salgueiro - 30 de junho de 2009.
Ora, Zelaya infringiu o Artigo 4 da Constituição, o qual o incrimina automaticamente por "delito de traição à Pátria", e perdeu a qualidade de cidadão ao infringir o Artigo 42, inciso 5, conforme destacado acima. Por estas infrações o Tribunal Eleitoral, a Procuradoria Geral, o Congresso e a Corte Suprema de Justiça declararam o referendo ilegal. Apesar disso, Zelaya, como um louco alucinado e cego, passou por cima de todas as instâncias superiores desobedecendo as ordens de não realizar o referendo, destituiu no dia 24 pp. Romeo Vásquez Velásquez do cargo de chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, por recusar-se a colaborar com um ato ilegal e inconstitucional (que a Corte Suprema e o Congresso o restituíram a seu cargo), rasgou a Constituição e decidiu levar adiante o plano de Chávez e Fidel.
Tegucigalpa, capital de Honduras, amanheceu ontem em polvorosa, quando militares do Exército invadiram às 5 h. da manhã o palácio presidencial, tiraram de lá o presidente Manuel Zelaya e o despacharam para a Costa Rica. Este gesto heróico e histórico visava a evitar que se realizasse um referendo, convocado ilegalmente por Zelaya para a criação de uma Assembléia Constituinte, cuja meta era anular a Constituição de 1982 e em seu lugar criar uma nova que permitisse a reeleição presidencial indefinidamente.
Zelaya foi eleito em 2006, através de eleições limpas e democráticas, pelo Partido Liberal (de direita), e realizava um governo normal até ser picado pelo ferrão de Chávez; com isso deu uma guinada de 180° em sua postura político-ideológica causando estranheza até em seus correligionários. Chávez o convenceu a participar da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) e a partir de então, através de favores, começou o monitoramento. Zelaya tornou-se "bolivariano", foi a Cuba lamber as botas de Fidel que não lhe poupou elogios, e passou a alimentar a idéia totalitária de perpetuar-se no poder como já está concretizado na Venezuela e na Bolívia.A Constituição hondurenha não permite reeleição e é muito clara em seu posicionamento a quem descumpra tal determinação, conforme atestam os artigos abaixo:
"ARTIGO 4 - A forma de governo é republicana, democrática e representativa. É exercida por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, complementares e independentes e sem relações de subordinação.
A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria.
ARTIGO 42 - A qualidade de cidadão se perde:
1. Por prestar serviços em tempo de guerra a inimigos de Honduras ou de seus aliados;
2. Por prestar ajuda contra o Estado de Honduras, a um estrangeiro ou a um governo estrangeiro em qualquer reclamação diplomática ou ante um tribunal internacional;
3. Por desempenhar no país, sem licença do Congresso Nacional, emprego de nação estrangeira, do ramo militar ou de caráter político;
4. Por restringir a liberdade de sufrágio, adulterar documentos eleitorais ou empregar meios fraudulentos para burlar a vontade popular;
5. Por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República, e,
6. Por residir os hondurenhos naturalizados, por mais de dois anos consecutivos no estrangeiro, sem prévia autorização do Poder Executivo.
Nos casos a que se referem os incisos 1 e 2, a declaração da perda da cidadania será feita pelo Congresso Nacional, mediante expediente circunstanciado que se faça para o efeito. Para os casos dos incisos 3 e 6, tal declaração será feita pelo Poder Executivo mediante acordo governativo; e para os casos dos incisos 4 e 5, também por acordo governativo, anterior à sentença condenatória ordenada pelos tribunais competentes".
Ora, Zelaya infringiu o Artigo 4 da Constituição, o qual o incrimina automaticamente por "delito de traição à Pátria", e perdeu a qualidade de cidadão ao infringir o Artigo 42, inciso 5, conforme destacado acima. Por estas infrações o Tribunal Eleitoral, a Procuradoria Geral, o Congresso e a Corte Suprema de Justiça declararam o referendo ilegal. Apesar disso, Zelaya, como um louco alucinado e cego, passou por cima de todas as instâncias superiores desobedecendo as ordens de não realizar o referendo, destituiu no dia 24 pp. Romeo Vásquez Velásquez do cargo de chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, por recusar-se a colaborar com um ato ilegal e inconstitucional (que a Corte Suprema e o Congresso o restituíram a seu cargo), rasgou a Constituição e decidiu levar adiante o plano de Chávez e Fidel.
Apesar de todas essas evidências, quando os militares depuseram Manuel Zelaya do cargo que - a partir de então - ocupava ilegalmente, em defesa da Constituição, do Estado de Direito, do império da Lei e da garantia da Ordem, Chávez encabeçou um movimento junto com seus capachos Ortega e Correa, chamando o ato legítimo de "golpe de Estado". Imediatamente, como rastilho de pólvora, todos os outros camaradas pertencentes à ALBA e ao Foro de São Paulo saíram em defesa da "restituição imediata de Zelaya ao seu legítimo posto de presidente".
As declarações dadas por Lula, Correa, Ortega, Fidel e Chávez beiram a insanidade, sobretudo porque nenhum deles tem moral para acusar de "golpistas" àqueles que apenas fizeram valer o direito constitucional, além de serem eles mesmos golpistas em seus países. Chávez deu dois golpes de Estado, deixando mais de 30 mortos e centenas de feridos antes de chegar legalmente ao poder; Ortega idem, com seu terrorismo sandinista e Fidel, o que dizer deste abominável excremento humano que até hoje mantém um país inteiro seqüestrado desde há 50 malditos anos?
Hillary Clinton declarou que "Isto deve ser condenado por todos. Chamamos todas as partes em Honduras a respeitar a ordem constitucional e o império da lei", mas esta comunista ordinária sabia o que pretendia o deposto Zelaya para fazer afirmação mais estúpida e desconectada da realidade? Lula, por sua vez, disse que "Não podemos aceitar mais, na América Latina, que alguém queira resolver seu problema de poder pela via do golpe", mas o que tem feito há dez anos seu amigo golpista e mentor de todos os delinqüentes, Hugo Chávez, sempre com seu irrestrito apoio? Quando o golpe - de fato - é dado pelas esquerdas, tudo é correto e aceitável; entretanto, quando aqueles que respeitam as Leis e a Ordem se insurgem contra os querem destruí-las, estes psicopatas são os primeiros a causar tumulto e a incitar o povo à rebelião.
Hoje, reunidos na Nicarágua já com o presidente deposto (que chegou num avião enviado expressamente pelo governo da Venezuela - a revelia do povo venezuelano), Chávez, Ortega e Correa chamaram os defensores de Zelaya "à rebelião contra os golpistas". Segundo Correa, "Os soldados, jovens e os oficiais não comprometidos com a oligarquia não têm porque obedecer ordens ilegais, e por isso devem se rebelar contra essa cúpula corrupta". Chávez foi mais longe: "Eu tenho certeza de que aos golpistas de Honduras e a esse presidente espúrio e usurpador e os que o apóiam, lhes esperam a mesma sorte que a oligarquia venezuelana". Isto não é crime previsto em lei? Não existe aí uma ameaça velada?
Ademais, o presidente Micheletti assegurou que 12 assessores nicaragüenses e venezuelanos chegaram a Honduras para colaborar com Zelaya e foram recebidos por pessoal da Casa Presidencial, e que o material eleitoral que seria utilizado ontem no referendo chegou ao país em aviões venezuelanos, segundo informações da Força Aérea Hondurenha. Isto não é ingerência nos assuntos internos de outro país ou Chávez já considera Honduras mais um "quintal" seu?
Por seu lado, a União Européia qualificou de "inaceitável" o derrocamento do governo hondurenho, enquanto Barak Obama declarou que o ocorrido neste fim de semana é "um golpe de Estado ilegal e que Manuel Zelaya continua sendo o presidente legítimo do país centro-americano". José Miguel Insulza, secretário geral da OEA, disse que "esse organismo está disposto a um diálogo com Honduras unicamente se Zelaya for restituído como presidente", reiterando que no continente "os militares golpistas não têm cabimento". Por outro lado, o presidente da Assembléia Geral da ONU, o "ex" terrorista sandinista Miguel D'Escoto convidou Zelaya à Assembléia tão logo seja possível. E a rebelião de fato já começou, com os defensores de Zelaya descumprindo acintosamente o toque de recolher, depredando os arredores do Palácio, queimando pneus e afrontando a Polícia que está reagindo apenas com a dispersão através de bombas de gás lacrimogêneo.
O bispo auxiliar de Tegucigalpa, Dom Darwin Andino, com uma visão bastante lúcida da realidade declarou que "o país não pode se entregar ao chavismo", não escondendo sua preocupação ao perceber que "em Honduras está se dando o mesmo que se deu na Venezuela, na Bolívia e no Equador ao somar-se às iniciativas políticas de Chávez. Daqui eu vejo tudo na mão do presidente venezuelano Hugo Chávez, e o país não pode se entregar ao chavismo nem a ninguém, pois queremos continuar sendo livres e independentes".
Diante da afronta internacional que vem sofrendo o presidente empossado, Roberto Micheletti declarou que "não se rompeu a ordem institucional; temos feito o que manda a lei", no que é respaldado pela Corte Suprema de Honduras que declarou em um comunicado: "As Forças Armadas, como defensoras do império da Constituição, atuaram em defesa do Estado de Direito, obrigando a cumprir as disposições legais aos que publicamente manifestaram e atuaram contra as disposições da Carta Magna".
E eu já estava encerrando este artigo quando chega a confirmação, através de uma carta que o presidente do PRD (Partido da Revolução Democrática - de extrema esquerda) do México enviou à embaixadora hondurenha naquele país, de que por trás desse exagerado apoio à ilegalidade estão a OEA, o Grupo do Rio, a ONU, a União Européia, a Internacional Socialista e o Foro de São Paulo, organizações que reúnem a escória política do mundo.
Honduras é um país pequeno, pobre e fraco, apesar de ter militares e políticos dignos que provaram com esta atitude que nem todos se deixam intimidar por delinqüentes arrogantes como Chávez e sua gang internacional. Entretanto, a pressão exercida desde fora está sendo muito grande e intensiva, pois uma coisa que as esquerdas têm décadas de prática - e por isto exercem muito bem - é em mobilização de massas; eles sabem como esmagar o inimigo, comprando consciências, difamando, distorcendo fatos, plantando desinformação. Oxalá o novo presidente e suas gloriosas Forças Armadas possam resistir com bravura a tantos ataques de uma só vez e de todos os lados, pois o que Chávez e esses grupos coordenados pelo Foro de São Paulo pretendem é repetir o que ocorreu na Venezuela em 11 de abril de 2002, em que Chávez acabou voltando ao poder. Se isto acontecer e Zelaya voltar, o massacre vai ser grande, a repressão aos opositores vai ser violenta e os hondurenhos podem dar adeus à democracia. Os venezuelanos que me desmintam se puderem...
Coração de Nordestino

Vem Jesus liberte o coração do nordestino
Do homem, do menino que nasceu aqui.
Vem Jesus transforme, mude sua história faz ele feliz!
Do menino que brinca de baleadeira, da mulher rendeira lá do Ceará...
Do homem boiadeiro que canta toada para não chorar...
A seca castiga e o gado morre, e o rio é dos olhos teus
Meu Nordeste carente, povo tão valente,
Deus ama você.
Vem Jesus...
Ceará, Alagoas, Paraíba, Sergipe,
Pernambuco, Bahia...
Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão
Eita terra linda...
Meu Jesus morreu também pelo Nordeste, pelo Sertão,
Pelo Agreste, pelo sanfoneiro
Pelo homem sem escola, homem sem vitória
Pelo violeiro...
Vem Jesus...
Nordestino querido você que me escuta
Pelo Sertão, pela cidade
Jesus Cristo deseja encher tua vida
De felicidade...
Meu Jesus morreu também pelo Nordeste, pelo Sertão,
Pelo Agreste, pelo sanfoneiro
Pelo homem sem escola, homem sem vitória
Pelo violeiro...
Oh ! Que belos hinos cantam lá no céus!
Pois do mundo o filho mau voltou!
Vede no caminho o bom Pai abraçar,
Esse filho que Ele tanto amou.
Glória, glória os anjos cantam lá,!
Glória, glória as harpas tocam já!
É o santo coro dando glória a Deus,
Por mais um remido entrar nos céus.
Oh! Que belos hinos cantam lá nos céus,
É que já se reconciliou,
A alma revoltosa que submissa a Deus,
Convertida o mundo abandonou!
Glória, glória os anjos cantam lá,!
Glória, glória as harpas tocam já!
É o santo coro dando glória a Deus,
Por mais um remido entrar nos céus.
Ó arrependidos, hoje festejai,
Como os anjos fazem com fervor!
Ide, pressurosos, vós e anunciai,
Que se resgatou um pecador!
Glória, glória os anjos cantam lá,!
Glória, glória as harpas tocam já!
É o santo coro dando glória a Deus,
Por mais um remido entrar nos céus.
Enter neste link e cante: CC 274
Se tiver dificuldade em cantar a música, procure um batista, um batistão mesmo, que você poderá, com ele, saborear este lindo hino, bastante usado em batismos e, ao final do culto, em seguida a um ato de conversão.
Segunda-feira, Junho 15, 2009
Cantos Sagrados
O QUE EU VI
Por vêr quanto ha de bello e quanto brilha
Na multipla e gloriosa maravilha,
Que anda suspensa em o azul profundo!
Vi montes, vales, arvores e flôres,
Limpidas aguas, múrmuras torrentes,
Do grande mar as musicas plangentes,
Dos céus sem fim os trémulos fulgôres!
O coração tão cheio de harmonia,
De quanto havia em terra, mar e céos,
Que interpretando a sós a Natureza:
Dentro de mim esplendido fulgia,
N'um circulo de luz, teu nome, oh Deus!
(Cantos Sagrados de MANOEL D'ARRIAGA - Lisboa: 1899)
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Religião e Ídolos

As razões são complexas. Mas duas que se destacam são: em primeiro lugar, a sua amizade com um grupo de teólogos "radicais" que, sob a influência do racionalismo que na Alemanha havia recentemente entrado nos estudos bíblicos, declarou que as narrativas do evangelho eram lendas que não poderiam mais servir como fonte para a história de Jesus de Nazaré, mas apenas para a história da igreja primitiva. Conquanto aqueles teólogos continuassem a se autodenominar cristãos, crendo que poderiam reter as verdades do Cristianismo ao mesmo tempo em que destruíam a sua base histórica, Marx todavia foi além deles e viu as consequências das suas teorias: pois se os evangelhos não dão um quadro confiável de Jesus Cristo, por que então incomodarmo-nos com ele?
Mas a segunda razão, mais relevante para nossos presentes propósitos, tem a ver com a maneira pela qual Marx via o modo pelo qual as religiões em geral, e o Cristianismo em particular, eram praticadas na sociedade alemã de seus dias. A religião era usada pelas classes dominantes para sancionar o status quo. Ela justificava as iniquidades e os sofrimentos da presente ordem social, explicando-os como sendo o árduo trabalho necessário para uma ordem transcendente, eterna. Assim como as doutrinas das castas, do carma e da reencarnação têm muitas vezes propiciado em muitas das culturas asiáticas a aceitação passiva, pelas pessoas, de suas condições materiais e sociais, e também uma indiferença para com qualquer tentativa de transformar este mundo, da mesma forma na Europa do século dezenove as igrejas oficiais aceitaram como verdade que a "vontade divina" refletia-se na presente ordem das coisas, e, consequentemente, rejeitar a presente ordem seria o equivalente a uma rebelião contra Deus. A compensação pelos sofrimentos por que se passasse não seria mediante mudanãs materiais neste mundo, mas ocorreria num outro mundo depois da morte. Essa postura tão popular acha-se inserida de forma resumida num hino inglês bastante conhecido que ainda é ensinado hoje em dia em algumas escolas bíblicas dominicais:
Todas as Coisas Brilhantes e Belas).
Segunda-feira, Março 30, 2009
O elogio do atraso

Veja, 1º.4.2009 - Edição nº 2106
"Nossa maior glória, de acordo com a reportagem da revista The Economist, foi ter permanecido lá atrás.
No estatismo. No assistencialismo. No empreguismo.
Na agiotagem. Nas negociatas"
O elogio do atraso. Quanto mais atrasado, melhor. Há algumas semanas, a revista The Economist analisou o atual estado da economia brasileira. Nossa maior glória, de acordo com a reportagem, foi ter permanecido lá atrás. No estatismo. No assistencialismo. No empreguismo. Na agiotagem. Nas negociatas patrimonialistas do BNDES. Agora tudo isso poderá nos proteger do rombo da economia mundial, causado por aquela "gente branca, loira e de olhos azuis", segundo Lula.
A reportagem da The Economist é ilustrada com a imagem de um homem de bermuda, tirando uma soneca num muro de pedra, diante de uma igreja. Os historiadores sempre associaram nosso atraso ao catolicismo ibérico. Como nosso trunfo é o atraso, a gente tem de ir mais à igreja. A gente tem de resgatar o Tribunal do Santo Ofício. A gente tem de dormir mais. Nosso lugar, como o de Macunaíma, é numa aldeia à margem do Uraricoera. The Economist recuperou o mito modernista do herói indolente e sem caráter, celebrando Mário de Andrade com oitenta anos de atraso. Quanto mais atrasado, melhor. Especialmente no caso de Mário de Andrade.
Coreia, Coreia, Coreia. Nos últimos anos, aconselharam-nos sem parar a imitar a Coreia. Que pegou um monte de dinheiro e o despejou todinho na escola. O único caminho para o progresso, repetia-se tediosamente, era o estudo. Os coreanos fizeram isso mesmo: estudaram. Deu certo por algum tempo. Até a economia mundial desabar. Quando desabou, a da Coreia desabou mais ainda. E o modelo brasileiro, baseado no torpor físico e moral, passou a ser comemorado nas páginas da The Economist. Quem mandou estudar tanto? A Coreia, hoje, tem uma indústria de ponta que compete com a dos países mais ricos, com produtos que ninguém se interessa em comprar. A gente, muito mais folgadamente, recolhe farelo de soja e minério de ferro e sai arrecadando uns trocados por aí. Conselho: estude menos e durma mais.
Há outras áreas em que o imobilismo e o atraso podem nos beneficiar. Neste período de empobrecimento generalizado, em que há maior chance de tumulto social, ter um povo domesticado e acovardado, como o nosso, representa uma grande vantagem. Outra área da qual temos de tirar proveito é o ambiente. Os Estados Unidos se preparam para torrar 150 bilhões de dólares em energia limpa e ineficaz, num prazo de dez anos. Ao mesmo tempo, planejam aumentar todos os impostos sobre as fontes de energia mais poluentes e eficazes. Nós, por outro lado, continuaremos a produzir como sempre fizemos, de maneira porca e barata: ateando fogo no mato e soltando o gado.
Daqui a dez anos, se a economia mundial continuar a se atrofiar, estaremos ainda melhor, colhendo os frutos de nosso atraso. The Economist dedicará mais uma página ao Brasil, numa reportagem altamente elogiosa a respeito de nossas queimadas, ilustrada com a imagem de um homem de bermuda, tirando uma soneca num muro de pedra, diante de uma igreja. E com enfisema pulmonar.
O fim dos exames vestibular
VEJA Edição 2106. 1º de abril de 2009
Cláudio de Moura Castro
O vestibular funciona, mas
deve acabar. E isso é bom
feito no Brasil atualmente é inconveniente para os
candidatos e massacra o ensino médio"

De olho no vestibular, o ensino médio oferece
muito mais matéria do que é razoável esperar
que a maioria dos alunos possa digerir
Ao contrário do que pensam alguns, os nossos vestibulares são impecáveis para a tarefa de selecionar os melhores candidatos. Como nos países de educação séria, buscam identificar os alunos que melhor dominam os conteúdos do ensino médio. Há sólida evidência de que barram os mais fracos e aprovam os mais sabidos, escolhendo assim os que terão mais probabilidade de sucesso nos cursos superiores. Sua administração é ágil, sem fraudes e mostra resultados rapidamente. Coisa de país sério. Várias nações do nível do Brasil não têm nada comparável. Ora, se são tão bons assim, por que o MEC anuncia sua iminente decapitação?
Em contraste com pretéritos acessos de burrice, desta vez o MEC está coberto de razão. Embora descubra e selecione os melhores, o vestibular atual é inconveniente para os candidatos. E, pior, massacra o ensino médio.
Para um aluno genial – e que sabe disso –, basta escolher seu curso favorito e fazer o vestibular correspondente. Mas os outros têm todo o interesse em fazer tantos vestibulares quanto logisticamente possível. A maioria não sabe nem onde nem em que vai passar. Portanto, suas opções aumentam se fizer muitos vestibulares. Contudo, essa operação é penosa e, sobretudo, cara. Há múltiplas taxas a pagar e mais os deslocamentos entre cidades. Sofre a equidade, pois muitos não têm recursos para isso. Dessa forma, o vestibular único é um presente generoso para os alunos mais modestos.
Porém, o problema mais grave está na influência funesta sobre o nível médio. Diante das orientações vagas dos parâmetros curriculares e da realidade concreta do vestibular da universidade pública mais próxima, o ensino médio se vê atraído para este, como a mariposa para a lâmpada.
Entendamos a lógica do vestibular. Inclui perguntas fáceis, para separar os burrinhos dos apenas meio burrinhos. E, entre os 2% mais sabidos, é preciso identificar o 1% ainda melhor, para que eles sejam aceitos nos cursos hipercompetitivos. Conseguir isso, só com perguntas difíceis. Porém, a presença de perguntas terrivelmente ardilosas ilude o ensino médio, pressionado a ensinar tudo o que pode aparecer na prova.
O resultado é uma inundação curricular. É muito mais matéria do que é razoável esperar que a vasta maioria dos alunos possa digerir. Ao contrário de países como o Japão – em que o currículo é desenhado para que todos possam entender tudo –, somente um ou outro gênio tupiniquim conseguirá se beneficiar dessa abundância. Para a maioria, o excesso de assuntos dilui o ensino – é muita água deitada ao feijão. Quando se tenta ensinar demais, aprende-se de menos. Não há tempo para profundidade. Portanto, não há tempo para uma real educação. É decorar palavras e fórmulas, o que sabemos ser uma perversão do ensino.
Uma escola que queira simplificar arrisca-se a ver os pais retirar de lá seus pimpolhos, pois não está ensinando tudo o que pode cair na prova. Contudo, não nos esqueçamos: mais de três quartos dos alunos do superior entraram em cursos em que o vestibular é apenas uma liturgia, pois passam quase todos. O que é ainda pior, escolas em que poucos entram no superior acabam seguindo a boiada e tentando ensinar demais. Ou seja, para pescar o 1% que vai para a medicina, arrasta-se todo o ensino médio para a superficialidade de decorar infindáveis nomes de bactérias, enzimas e pedaços das células.
Portanto, mudar o sistema é uma boa ideia. Quando se cria uma prova centralizada e única, acaba-se com o passeio aflito para prestar múltiplos vestibulares. Como são muitos candidatos, diluem-se os custos de preparar uma prova tecnicamente sofisticada. Ainda mais importante, é possível formular um teste circunscrito aos aprendizados essenciais do ensino médio. Os vestibulares atuais são feitos por professores que buscam garantir o conhecimento de suas matérias por parte dos calouros. Meritório. Mas, quando todos fazem o mesmo, a prova fica ambiciosa demais. Em contraste, uma prova concebida para o ensino médio que almejamos tem melhores chances de conter as tentações dos especialistas de cada área.
O Enem é o candidato mais óbvio para substituir os vestibulares tradicionais. Em que pesem alguns problemas técnicos, é uma prova que vem melhorando ao longo do tempo. Sabemos que seleciona praticamente os mesmos candidatos que um vestibular tradicional. E, ao contrário dos vestibulares, privilegia o raciocínio e o conhecimento dos conteúdos centrais que devem ser aprendidos no médio. Dispensa decoreba. Esse é o lado bom, mas também traz perigos. Se a prova ficar apartada demais dos conteúdos curriculares tradicionais, haverá o risco de que as escolas parem de ensiná-los. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Com boas razões, o MEC quer temperar o Enem com um pouco mais de currículo. O equilíbrio do tempero é crítico. Currículo de mais, volta a ser vestibular de federal. E, de menos, deixa de orientar o ensino. Além disso, para que se reduza a margem de erro, é preciso aumentar o número de perguntas, mas isso é problema menor.
Os candidatos fazem a prova e ganham uma nota. Mas e aí? O sistema vai parecer um pouco com o americano (exceto pela diferença nas provas). Lá, os alunos fazem o teste SAT, que passa a ser o certificado nacional do tanto que aprenderam na escola. Munidos dele, apresentam-se a diferentes instituições. Estas, por sua vez, decidem se aceitam um candidato com tal ou qual pontuação. Ademais, antes de decidir, costumam exigir outras demonstrações de aptidão ou vocação.
No caso brasileiro, o novo Enem será a cotação do aluno na "bolsa de valores acadêmicos". Diante dos outros candidatos que aparecerem, o curso compara e decide. Um curso muito concorrido poderá escolher os melhores talentos. Outros se contentarão com desempenhos mais modestos. Para as universidades, faz pouca diferença. Atualmente, baseado no vestibular da instituição, cada curso escolhe os melhores que optarem por ele. No sistema proposto muda pouco, embora seja uma prova nacional. Os candidatos ao curso trazem as suas notas, e os melhores serão escolhidos. O candidato brilhante do Acre pode entrar na medicina da UFRGS. Em contrapartida, a UFRGS poderá recrutar um aluno brilhante no Acre. Para os dois lados, a concorrência passa a ser nacional e mais aberta.
Se o curso de medicina achar que precisa de alunos que conheçam mais nomes de bichinhos e plantinhas, poderá fazer uma prova adicional. A grande vantagem é que somente os alunos voltados para esses cursos precisam decorar as amebas e protozoários. Naturalmente, o curso de educação física pode querer que os alunos deem a volta no quarteirão correndo, para ver se estão em boa forma. Os candidatos de arte podem se ver obrigados a desenhar a cara do reitor, para testar seus talentos. Por que não?
Na prática, há alguns desafios técnicos a ser enfrentados, sobretudo na logística de operar a "bolsa de valores acadêmicos" dentro de cada curso. Alunos aceitos em vários lugares têm de optar, criando um período de indefinição. Mas, comparado com o sistema americano, é mais simples, pois não tem a multiplicidade de critérios subjetivos usados nos Estados Unidos.
A grande dúvida é a adesão das universidades públicas. Vivemos em um país em que os impostos são transferidos às universidades públicas, mas o órgão encarregado de zelar pelo seu bom uso, o MEC, está proibido pela Constituição de dar palpites nesse assunto (não haveria espaço aqui para uma discussão responsável sobre autonomia). Nisso, a universidade federal é dona do seu nariz; portanto, o MEC não pode mandar que use o seu novo vestibular (embora possa azucrinar infinitamente, com suas armadilhas burocráticas). Para não ser refém delas, a adesão será voluntária.
Recordando: para selecionar os candidatos mais talentosos, nosso vestibular não deixa nada a dever aos de outros países. Seu problema é envenenar o ensino médio com o dilúvio de conhecimentos exigidos. Para consertar o médio, é preciso divorciá-lo desse vestibular. Já passou a hora de liberar o ensino médio dessa tirania. Afinal, só a metade dos graduados vai para o superior e, desses, só uma quarta parte para cursos de acesso competitivo. Faz muito sentido a proposta do MEC de exame nacional com um Enem turbinado. Vamos torcer para que seja bem implementada.
Fonte: Revista VEJA Edição 2106. 1º de abril de 2009 e ARQUIVOS DE ARTIGOS ETC.
Um Brasil evangélico?
Perspectiva de um evangélico sobre a possibilidade de um Brasil majoritariamente evangélico no futuro
Julio Severo
Vi o futuro evangélico do Brasil. Não, não tive nenhuma visão sobrenatural. Apenas vi um cenário regional real que aponta acertadamente para uma realidade nacional.
Muitos evangélicos pensam que o quadro caótico do Brasil mudaria se a maioria da população do Brasil fosse evangélica. Mais evangélicos brasileiros significaria mais integridade, honestidade e justiça no Brasil?
São Gonçalo: espelho do futuro evangélico do Brasil?
Conheci São Gonçalo, no Rio de Janeiro, município que, de acordo com o Pr. Fernando Rezende, tem a maior concentração de pastores e igrejas evangélicas por quilometro quadrado de toda a América Latina.
Assim como todo o Brasil, São Gonçalo reflete muito bem a diversidade evangélica, com templos e denominações das mais tradicionais até as mais modernas. Andando por São Gonçalo, sente-se a presença evangélica por todos os lados.
Contudo, São Gonçalo tem fama de ter características evangélicas? É um município com elevado índice de assassinatos, violência, crimes, prostituição, etc. É um lugar conhecido pelo abandono, lixo, sujeira, etc. E, não por coincidência, o primeiro caso de união civil homossexual a receber aprovação do Superior Tribunal de Justiça veio de… São Gonçalo!
Onde o Evangelho de Jesus Cristo entra, o efeito é resplandecente: as trevas recuam. Mas em São Gonçalo as trevas recuaram?
Não só há uma grande concentração de pastores e igrejas em São Gonçalo, mas importantes posições políticas ali, inclusive de prefeito, estão nas mãos de evangélicos. Mesmo assim, ativistas homossexuais ocupam posições importantes da prefeitura. Onde está há mudança do Evangelho?
Claro que há homens e mulheres ali que são fiéis a Deus e clamam por justiça. Mas a pergunta é: Por que muitos pastores estão envolvidos em esquemas de corrupção em São Gonçalo? Por que tantos esquemas ligados a autoridades políticas evangélicas ali? Onde estão os profetas de São Gonçalo para bradar contra as alianças evangélicas com as trevas da corrupção política?
Os evangélicos e a política: o que está acontecendo?
Algum evangélico poderia me perguntar: “Julio, como você poderia aplicar o exemplo de São Gonçalo a um Brasil evangélico no futuro?”
Minha resposta: “São Gonçalo é evangelicamente diferente do resto do Brasil?”
Há muitos fatores em comum a considerar, principalmente espirituais, porém vou focalizar apenas no aspecto político.
Todo evangélico, seja líder ou não, tem poder político. Em São Gonçalo, evangélicos simples, sem nenhuma posição de liderança política ou religiosa, têm usado seu poder político para manter no poder indivíduos sem a visão e integridade do Reino de Deus. Aliás, os evangélicos simples é que decidem o rumo político de São Gonçalo, pois eles têm o poder do voto.
Não é assim também no Brasil inteiro? Evangélicos compõem parte significativa e importante dos eleitores, mas os resultados eleitorais estão mostrando um aumento de influência dos valores do Reino de Deus? O voto evangélico está pondo no governo homens que, em vez de obsessão de promover o aborto e o homossexualismo, têm como alvo levar o Estado a cumprir sua responsabilidade de castigar os maus e dar segurança aos bons?
Há abundante corrupção na política de São Gonçalo. Por que evangélicos que atuam na política ali não são diferentes de quem não é evangélico? Notável exceção foi o Dr. Geremias Fontes, que foi prefeito de São Gonçalo de 1959 a 1962. Mais tarde, durante o regime militar, ele se tornou governador do Rio de Janeiro, deixando como exemplo uma integridade política e administrativa que não se vê nos políticos atuais de São Gonçalo e Brasil. Ele foi o político mais honesto que já conheci em todo o Brasil.
Por que a presença forte de evangélicos na política atual de São Gonçalo e a presença forte de pastores e igrejas evangélicas na sociedade de São Gonçalo não estão mudando o quadro de corrupção, crimes, assassinatos e prostituição da região?
A população evangélica de São Gonçalo usa seu poder voto nas eleições. Por que as mudanças espirituais não vêm?
Evangélicos e até pastores entram na política de São Gonçalo com boas intenções. Por que eles acabam espiritualmente fracos e corruptos?
Como um futuro Brasil evangélico seria diferente dessa realidade?
Onde está o Brasil diferente?
A população evangélica do Brasil usa seu poder voto nas eleições. Onde estão as mudanças políticas nacionais que agradam a Deus?
Evangélicos e até pastores entram na política do Brasil com boas intenções. Por que eles acabam espiritualmente fracos e corruptos?
O aumento da presença evangélica na política está mudando o quadro caótico do Brasil? Pelo contrário, mesmo com grande presença evangélica, Lula, com toda a sua obsessiva devoção política ao aborto e à sodomia, foi eleito por muitos votos evangélicos, com o apoio ou silêncio da maioria dos líderes evangélicos.
Portanto, o que o Brasil precisa é de um futuro evangélico? Um grande aumento nacional de evangélicos poderia transformar o Brasil na República Federativa de São Gonçalo.
O que o Brasil precisa é de seguidores de Jesus Cristo que tenham coragem de viver e levar a sério os valores do Reino de Deus na política.
O evangélico e o Estado ladrão
O evangélico na política engole as visões ideológicas que lhe são impostas de todos os lados e nada vê de errado no acúmulo estatal de riquezas a custa de impostos assaltantes. Décadas atrás, o Brasil tinha uma carga de impostos sobre os cidadãos de 10%. Hoje, essa carga aumentou para um peso insuportável e inimaginável de praticamente 40%!
Isto é, a maior parte dos recursos de impostos hoje é produto de roubo estatal, por meio de leis injustas. Como um seguidor de Jesus conseguiria ser um bom administrador de recursos públicos adquiridos por meio de furto estatal?
O Estado brasileiro, injustamente enriquecido com taxação criminosa, alega que sua elevadíssima cobrança de impostos tem como finalidade ajudar os pobres e investir na saúde, educação, etc. O seguidor de Jesus aceitaria tal desculpa?
O que diríamos de um evangélico que investiu 4 milhões de reais em hospitais infantis e escolas? É uma boa e louvável ação, sem dúvida. Mas o que diríamos se a procedência desses 4 milhões fosse produto de roubo, onde um ladrão assaltou um banco e depois deu tudo ao evangélico, que por sua vez deu tudo para obras de caridade?
O investimento foi certo, porém o dinheiro é sujo, pois é produto de roubo. Administrar produto de roubo não traz bênção para quem o administra. Será por isso então que a maioria dos políticos evangélicos do Brasil não está sendo abençoada e ainda cai em escândalos?
Roubar para “ajudar” os pobres?
Como pode um evangélico (ou católico) ser um bom administrador de produto de roubo?
Muita severidade é injustamente atribuída a Deus por causa de seus mandamentos, mas ele nunca ordenou que o Estado roube dos cidadãos. O Estado faz isso por conta própria.
Na Bíblia, Deus orienta as pessoas a repartir com os pobres. Nunca Deus sugeriu que o Estado tem o poder e a autoridade de roubar de uns para dar para outros.
No plano de Deus, a repartição de bens deve ser motivada exclusivamente pelo amor ao próximo, não por tirania e abusos de impostos estatais. Quando o Estado usa sua força nessa área, o resultado é ódio e morte em grande escala.
O sistema socialista, que afirma apenas querer distribuir a renda entre as pessoas, é responsável por mais de 100 milhões de assassinatos.
O sistema socialista é uma afronta total aos ensinamentos de Jesus, que prega o amor e ações motivadas por amor.
Por isso, para alcançar um nível onde as pessoas sintam amor pelo próximo, a sociedade precisa do Evangelho. Quando o assunto é amor, o Estado é ineficaz e inútil. O Evangelho promove amor entre os cidadãos, sem roubar de uns para supostamente dar para outros. Mas quando o Estado, com a alegação de ajudar os pobres, rouba através de impostos, o ódio avança.
Por coincidência, nenhuma ideologia promoveu mais ódio e assassinatos do que o socialismo. Como então tantos evangélicos no Brasil podem abraçar uma ideologia maldita que derramou tanto sangue cristão durante a história da humanidade?
Como é que os evangélicos brasileiros, seguindo a direção dessa ideologia, conseguem entrar na política, querendo ser homens espiritualmente íntegros sendo ao mesmo tempo “bons” administradores de produtos de roubo através de impostos injustos?
Muitos evangélicos seguiram tal rumo e as conseqüências estão aí, mas o seguidor de Jesus age diferente. Ele entra no sistema político com os valores imutáveis e inabaláveis do Reino de Deus e muda o sistema. Ele não entra no sistema para se tornar apenas mais uma parte da engrenagem.
O seguidor de Jesus sempre faz diferença
O seguidor de Jesus entra no sistema político e, vendo os 40% de furtos estatais em impostos, luta para trazer justiça na forma e quantidade de o Estado cobrar e administrar os recursos públicos. O seguidor de Jesus levará o Estado a cumprir somente o chamado que Deus lhe deu: castigar os culpados e elogiar os bons.
Os que se opõem a Deus dizem que é crueldade dar mensalmente dez por cento da renda a Deus, porém nem mesmo entre o próprio povo de Deus ninguém questiona quando o Estado brasileiro cobra a força 40 por cento da renda do trabalhador!
A Bíblia diz que Deus deu ao Estado a autoridade de levar a espada — que significa a autoridade de usar a pena capital em criminosos perigosos. O Estado brasileiro leva a espada — que é o poder de fazer ameaça letal aos criminosos — não para acabar com a criminalidade e com os criminosos, mas para ameaçar os cidadãos bons com cobranças abusivas de impostos.
O Estado se tornou divino ao exigir dos cidadãos um “dízimo” compulsório quatro vezes maior do que o dízimo que é entregue ao único e verdadeiro Deus.
É impossível fazer a vontade de Deus na política sem fidelidade ao Reino de Deus. Os políticos evangélicos de São Gonçalo não são prova dessa realidade? Aliás, muitos políticos evangélicos de todo o Brasil são evidência desse fato. É impossível ser servo de Deus na política sendo “bom” administrador de produto de roubo.
Contudo, os políticos evangélicos são os únicos culpados pela falta de grande mudança positiva no Brasil? Os eleitores evangélicos do Brasil provavelmente são os maiores culpados, pois usam seu poder de voto quase sempre de forma errada. Quantos políticos pró-aborto e pró-homossexualismo que governam hoje o Brasil não foram eleitos por muitos evangélicos?
O seguidor de Jesus, ao ser confrontado apenas com opções de políticos corruptos na hora da eleição, se abstém. Mas o eleitor evangélico, ou católico, vota no “menos pior” — porque o mesmo Estado que lhe suga criminosamente impostos elevados também o doutrina sistematicamente que é “dever democrático” votar, seja em quem for.
O seguidor de Jesus não dá ouvidos ao Estado ladrão e a ideologias totalitárias. Ele dá atenção à voz do Espírito Santo.
Seja como político ou como simples eleitor, o seguidor de Jesus é realista, e entende que está lidando com um Estado que, em vez de cumprir sua função fundamental de castigar crimes reais, é praticante de crimes e furtos.
Seja como político ou como simples eleitor, o seguidor de Jesus se entrega nas mãos do Político supremo para trazer mudanças políticas ao Brasil. Ele não será simplesmente administrador do Estado ladrão, mas será servo do Reino de Deus na política brasileira, disposto a seguir toda ordem do Rei.
Vendo São Gonçalo, vi o Brasil evangélico do futuro! Agora vejo que o Brasil, mais do que nunca, precisa de um aumento de homens e mulheres fiéis ao Reino de Deus. São esses homens e mulheres que serão usados por Deus para transformar o Brasil.
Fonte: www.juliosevero.com
Faça seus comentários em HOLOFOTE, se desejar: AQUI.
Aquila non captat muscas
Eis o link: Aquila non captat muscas.
Boa leitura. Comente.
Pula!
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 19 de fevereiro de 2009
O estudo mais completo já empreendido sobre assassinatos em massa no mundo é o do professor de Ciência Política da Universidade do Havaí, Rudolph J. Rummel, que lhe rendeu o Lifetime Achievement Award da American Political Science Association em 1999. O essencial da pesquisa é resumido em Never Again: Ending War, Democide & Famine Through Democratic Freedom (Coral Springs, FL, Lumina Press, 2005), e os dados completos estão no site http://www.hawaii.edu/powerkills. Rummel substituiu ao conceito de “genocídio”, que lhe parece muito vago, o de “democídio”, com o qual designa especificamente a matança de populações civis por iniciativa de governos. Resenhando os episódios de democídio documentados desde o século III a.C. até o fim do século XIX, ele chega a um total aproximado de 133.147.000 vítimas, destacando-se aí, como supremos assassinos em massa, os imperadores chineses (33.519.000 mortos em 23 séculos) e os invasores mongóis na Europa (29.927.000 mortos entre os séculos XIV e XV).
Quando a pesquisa chega ao século XX e entram em cena os governos revolucionários, as taxas de assassinato em massa sofrem um upgrade formidável, subindo para 262 milhões de mortos entre 1900 e 1999 – quase o dobro do que fôra registrado em toda a história universal até então. Desses 262 milhões, nem tudo, é claro, foi obra de governos revolucionários, mas a diferença entre eles e seus concorrentes é significativa. Todos os colonialismos somados (Inglaterra, Portugal, etc.) mataram 50 milhões de pessoas, das quais pelo menos 10 milhões foram assassinadas por um só governo proverbialmente cruel, o do Rei Leopoldo da Bélgica. O império japonês, por seu lado, matou aproximadamente 5 milhões, quase todos na China.
Vejam agora o desempenho dos governos revolucionários: China, 76.702.000 mortos entre 1949 e 1987; URSS, 61.911.000 mortos entre 1917 e 1987; Alemanha nazista, 20.946.000 mortos entre 1933 e 1945; China nacionalista (Kuomintang) 10.075.000 mortos entre 1928 e 1949 (o Kuomintang, embora inimigo dos comunistas, era também um governo revolucionário, responsável pela destruição da mais antiga monarquia do mundo). Às sete dezenas de milhões de vítimas do governo comunista chinês devem se acrescentar 3.468.000 civis assassinados pelo Partido Comunista de Mao Dzedong nas áreas sob o seu controle antes da tomada do poder sobre toda a China, o que eleva o desempenho do comunismo chinês a nada menos de 80 milhões de mortos – equivalente à metade da população brasileira.
Governos revolucionários em áreas menores também não se saíram tão mal, comparativamente à modéstia de seus territórios: Camboja, 2.035.000 mortos entre 1975 e 1979; Turquia, 1.883.000 mortos entre 1909 e 1918; Vietnam, 1.670.000 mortos entre 1945 e 1987 (quase o dobro do total de vítimas da guerra, que renderam aos EUA tantas críticas da mídia internacional); Polônia, 1.585.000 mortos entre 1945 e 1948; Paquistão, 1.503.000 mortos entre 1958 e 1987; Iugoslávia sob o Marechal Tito (tão louvada como alternativa de “socialismo democrático” à brutalidade soviética), 1.072.000 mortos entre 1944 e 1987; Coréia do Norte, 1.663.000 mortos entre 1948 e 1987; México, 1.417.000 mortos entre 1900 e 1920 (especialmente cristãos).
O total sobe a aproximadamente 205 milhões de mortos. Tudo ao longo de um só século. As duas guerras mundiais somadas mataram 60 milhões de pessoas, entre combatentes e civis. A Peste Negra, de 541 até 1912, matou 102 milhões. Nada, absolutamente nada no mundo se compara ao instinto mortífero dos governos revolucionários. A promessa de um “outro mundo possível” transformou-se no mais letal pesadelo que a humanidade já viveu ao longo de toda a sua história. Aristóteles já dizia que a essência da tragédia política é quando o perfeito se torna o inimigo do bom, mas ele se referia somente a casos individuais. Ele não poderia prever que um dia sua definição teria uma confirmação sangrenta em escala mundial, arrastando povos inteiros para os pelotões de fuzilamento, as câmaras de gás e a vala comum.
Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
Revolta de Princesa II - a revanche
Paraíba independente. Já pensou? As crianças iriam gostar de ver os tanques do Exército desfilando pelo Estado, a lutar contra os PMs, destemidos, a atirarem nos milicos federais com suas MQ 762 M 968 (eu traduzo: Mosquetão, calibre 7.62, Modelo 1968). As crianças iriam gostar... E o Cássio também.
Segunda-feira, Novembro 17, 2008
Abençoar a quem Deus quer abençoar
sobre tua vida vou profetizar, nenhuma maldição te alcançará.
Sei que Deus tem pra ti um manancial cujas águas nunca secarão.
Esta música é para ti, Juber Donizete, a quem Deus mandou que eu abençoasse esta tarde. Mandou dizer que Ele te ama, que te quer muito bem, que te quer livre, totalmente livre, para servi-lo e rir com aqueles a quem amas, rir muito, brincar e ser feliz.
Livre para saires a propagar as boas-novas e consolar os que choram. Ele te deu o dom de consolar os que choram.
Terça-feira, Outubro 07, 2008
ONDE ESTÃO OS HOMENS CRISTÃOS SOLTEIROS?
A falta de homens solteiros nas igrejas tem surgido como um problema importante na questão dos relacionamentos cristãos. Veja o ponto de vista de dois observadores experientes e algumas sugestões para lidar com esta realidade.
Por Camerin Courtney e Todd HertzExistem inúmeras questões delicadas relacionadas à vida de cristãos solteiros: qual o modelo mais apropriado para o namoro e os relacionamentos? A castidade é uma realidade para adultos solteiros? Por que algumas congregações têm fracassado em integrar os solteiros na vida da igreja? Não podemos lidar com todas estas questões aqui. Mas existe uma questão prática que se sobressai neste momento: Onde estão todos os homens? Estatisticamente a diferença entre a quantidade de mulheres e homens na igreja é alarmante. Em um trecho do livro The UnGuide to Dating, os autores Camerin Courtney e Todd Hertz avaliam esta problemática delicada.
A descoberta
Camerin: Algo está quebrado. Não sei exatamente o que é ou como consertar, o que me deixa muito chateada. Só sei que algo está evidentemente incorreto nesta história. Veja: recentemente fui a uma conferência no Leste europeu com pessoas que trabalham em revistas cristãs para mulheres. Eu, como amante e admiradora de pessoas de outras culturas, estava no céu. A cada refeição, intervalo ou horário de lazer eu podia fazer uma de minhas perguntas preferidas: “Como é a vida no seu cantinho do mundo?”
Mas com certeza não falei para ninguém que sou escritora de uma coluna para solteiros. Alguns deles nem sabiam que sou solteira, que tenho mais de 30 anos de idade e que nunca me casei; e tenho amigas no mesmo barco (algumas delas em barcos mais velhos do que o meu).
Minha primeira conversa na conferência foi com uma simpática russa de 40 anos, e aconteceu mais ou menos assim:
Eu: “Então, quais são os maiores desafios enfrentados pelas mulheres cristãs na Rússia?”
Galina: “Temos mulheres inteligentes e maravilhosas solteiras em nossas igrejas. Mas não há homens para elas.”
Eu (com uma voz que misturava depressão e empatia): “Sério?”
Galina: “Sim. é muito triste. Muitas delas viajam aos Estados Unidos para procurar um marido.”
Eu (com toda a minha doçura e sensibilidade cultural): “Bom, então diga a elas para entrarem na fila.”
Em seguida tive uma conversa com duas moças da Bulgária que pintaram um retrato similar sobre as mulheres cristãs que não tinham homens cristãos para formarem seus pares.
No almoço do dia seguinte, alguém perguntou se eu tinha filhos e então respondi: “Não, não sou casada.” Uma moça solteira de 38 anos vinda da Grécia desabafou: “Ah, isso faz com que eu me sinta muito melhor!” Ela também compartilhou sobre o que parece ser uma geração de falta de homens solteiros em seu país. O mesmo disse a moça da Malásia que se casou aos 29 anos, o que em sua cultura é considerada uma idade avançada.
Enquanto uma parte de mim se alegrava com este compartilhar e a compreensão da minha realidade, também fiquei deprimida com o fato de que esta aparente inquietação na vida das solteiras é algo global. Como eu já disse, algo está quebrado.
Chuva de homens? Não...
Antes de tudo, permita-me deixar uma coisa bem clara: sei que existem homens de Deus, solteiros, ao redor do mundo. Sou amiga de alguns deles e namorei outros. E, sim, existem jardins privilegiados onde existe uma porcentagem de 50% de homens e a mesma proporção de mulheres; e há alguns em que os homens até podem ser maioria. Durante uma viagem recente a trabalho, visitei uma igreja que tinha este perfil.
No universo parece haver muito mais mulheres cristãs solteiras do que homens cristãos solteiros. Minha própria experiência afirma esta verdade. Em quase todas as igrejas, estudos bíblicos, grupos de solteiros e locais de trabalho cristãos dos quais já participei ao longo dos anos continham um número significativo de mulheres solteiras e era notável (e frustrante) o reduzido número de homens. A maioria das pessoas que compõem meu círculo de amigos é de mulheres de Deus.
E não estou brincando quando digo que há alguns anos, quando eu fazia parte de um grupo da Aliança Bíblica Universitária (em minha universidade não-cristã), um de nossos pedidos de oração recorrentes era que mais homens se juntassem à nossa comunidade (para benefício deles e nosso também!).
Sempre que sai o novo informativo do escritório cristão onde trabalho, existe uma lista imensa de funcionárias de mulheres solteiras. Em evidente contraste, posso contar nas mãos o número de homens solteiros em nossa empresa, dentre os 150 funcionários.
Geralmente brinco com Todd, o co-autor do livro, que, por fazer parte do sexo masculino, ele tem um leque de pretendentes a sua frente para escolher. Em compensação, eu preciso lamentar o fato de que permaneço sem opções.
Todd: Quando Camerin me falou sobre sua teoria de que eu tinha um leque de opções e ela não, não dei a devida atenção. Pensei que ela estivesse sentindo pena de si mesma. Achei que estivesse exagerando. Eu pensava: Imagine! O contrário é que é verdade! Não há mulheres cristãs suficientes no mundo.
Então vi uma pesquisa, feita pelo grupo Barna em 2000, que constatou que 60% das seguidoras do cristianismo são mulheres. A pesquisa também observou o número de pessoas de cada sexo que se identifica como cristãos ‘nascidos de novo’. Baseado nos resultados, Barna estima que existem de 11 a 13 milhões de mulheres cristãs a mais do que homens nos Estados Unidos.
O mais impressionante não é apenas a disparidade entre os sexos no grupo de cristãos, e sim a diferença entre homens que acreditam em Deus e aqueles que realmente procuram viver baseados no que crêem. Segundo a pesquisa, apesar de 36% dos homens terem se identificado como cristãos ‘nascidos de novo’, apenas 14% freqüentam a escola dominical, 13% pertencem a um pequeno grupo e somente 9% servem na igreja em alguma posição de liderança. Em todas as categorias as porcentagens foram muito maiores para o grupo das mulheres.
Isto me obrigou a reconsiderar honestamente o que eu havia concluído. Sou o único homem solteiro entre 25 e 45 anos que regularmente freqüenta a minha (grande) igreja. Trabalhar para um escritório cristão abriu ainda mais meus olhos. Assim como Camerin mencionou, existem cinco ou seis homens em nosso escritório e posso contar pelo menos o triplo de mulheres solteiras.
E então temos outras provas: os e-mails. Como colunista para solteiros, Camerin recebe mensagens de mulheres que sofrem com a ausência de homens.
Estas mulheres possuem histórias tão detalhadas e convincentes que não tenho mais argumentos para negar os fatos. Existem menos homens ativos na igreja e, dependendo de onde você mora, a diferença pode ser ainda mais evidente.
Considere, por exemplo, este e-mail de uma mulher chamada Margaret: “Desde que me tornei cristã, nunca namorei. Simplesmente nunca me convidaram para sair. Por quê? Porque nossas igrejas e círculos cristãos estão repletos de mulheres e existe um vazio horrível no que diz respeito a homens solteiros em potencial. Não importa aonde eu vá: estudos bíblicos, igreja, grupos de solteiros: 90% são mulheres.”
Porque os homens evitam a igreja
Sim, a falta de homens solteiros em nossas igrejas é um péssimo fator para a equação dos namoros. Mas, obviamente, não é o maior problema. O maior problema é o fato de os homens solteiros não estarem nas igrejas. Honestamente, fico preocupado com meus irmãos cristãos. Por que estão menos ativos em sua fé? A relação com o Criador é realmente diferenciada quando falamos do nosso sexo?
Como disse Camerin, algo está quebrado. E não acho que seja algo fácil de ser identificado e nem que seja apenas um fator danificado. Imagino que existam diversas rachaduras por todos os lados, incluindo o papel cultural do nosso sexo, expectativas da sociedade e o formato de nossas igrejas.
Os homens geralmente não sabem quem deveriam ser. Mensagens dúbias e confusão de sexo podem estragar a todos nós, jovens homens solteiros. Sem uma direção clara, é fácil seguir o caminho errado.
Pense na cultura e no cristianismo como duas fachadas de loja na rua, uma ao lado da outra. As duas possuem sinais luminosos que anunciam suas ofertas. A cultura anuncia sexo, imprudência, álcool, gratificação instantânea e a ordem de não depender de ninguém a não ser de você mesmo.
Por outro lado, a fachada da igreja parece oferecer julgamento, regras e hinos. Como um bônus extra, existe o foco na família e uma visão sensível por parte da maioria de suas integrantes, as mulheres. Olhando por esta perspectiva, torna-se mais compreensível a razão pela qual tantos homens deixam a igreja após terminar o ensino médio e retornam apenas quando já estão casados, com famílias constituídas, um novo foco e maior maturidade emocional. Isto é, se eles retornam às igrejas.
Eles já cometeram seus atos insanos e imprudentes, aprenderam com os erros de suas escolhas e agora compreendem o que é verdadeiramente importante na vida, o que realmente vale a pena.
Muitos homens também usam um argumento para ficar fora da igreja, a pressão para ser algo que não são, ou seja: casados. Não, as coisas não aparentam estar bem por aqui. Admito que o problema com a falta dos homens ativos na igreja pode parecer desesperador. Homens na igreja podem pensar: Bom, se sou o único aqui, porque tenho que ficar aqui? Então as mulheres cristãs solteiras decidem desistir de uma vez e procurar pretendentes não-cristãos.
O que os homens podem fazer
Enquanto esta ampla visão cultural parece desanimadora, creio que há esperança. E esta esperança não está no foco da grande questão, e sim na fé individual. Cada um de nós, homens, precisa ter em mente o fortalecimento de nossa caminhada, buscar um mentor para caminhar junto e tornar-se participante ativo em sua igreja local.
O efeito colateral ideal desta mudança de foco seria que nos concentrássemos em dar o exemplo a outros homens e talvez começar a equilibrar as estatísticas desproporcionais de sexo em nossas igrejas. Mas, apesar desta perspectiva sobre namoro na igreja, ou até mesmo em como as igrejas olham para os solteiros, nós, homens, precisamos estabelecer um padrão de vida com Deus.
O que as mulheres podem fazer
Camerin: Quando eu estava naquela conferência internacional descobrindo esta falta universal de homens cristãos solteiros, orei silenciosamente após uma conversa: “Deus, obviamente estás revelando a mim uma questão importante. Por favor, não me deixe ficar parada. Não posso me sentar após tomar conhecimento desta questão e ficar frustrada. Preciso agir de alguma maneira. Quero fazer algo com esta informação.” Então estou fazendo o que sei fazer: estou escrevendo sobre o assunto. Digamos que eu esteja tentando despertar pessoas para o fato de que algo está errado. Buscando falar às igrejas, que observem e tenham como alvo esta população que falta em nosso convívio. E orando, desde aquela conferência, para que haja pleno avivamento entre os homens solteiros do mundo.
Acho que a oração é um dos melhores caminhos que as mulheres podem percorrer acerca deste tema. Uma mulher que escreveu uma carta em resposta a um de meus artigos, disse eloqüentemente: “Minha oração hoje é que mulheres de Deus comecem a orar por homens como jamais fizeram, não por motivação egoísta e sim com o desejo sincero de que nossos irmãos encontrem um lugar só deles na igreja, no ministério e talvez, apenas talvez, em nossos corações.”
Camerin Courtney é conhecida articulista do portal christiansinglestoday.com (Cristãos solteiros de hoje). Todd Hertz é editor associado da revista Ignite Your Faith e contribui com artigos para o portal christiansinglestoday.com.
Este artigo foi adaptado do livro The UnGuide to Dating: A He Said/She Said on Relationships, ©2006. Usado com permissão da Revell Books, uma divisão de Baker Publishing Group.
Apesar do governo (?) ainda existe dignidade no Brasil
Por Emerson Rogério de Oliveira - Jornal O SUL, de 04 OUT 2008
Relembro um fato inédito que chamou a atenção dos presentes à cerimônia de entrega de medalhas, realizada no dia 25 de Agosto de 2005, por ocasião das comemorações do Dia do Soldado, em Brasília.
Com a presença de Ministros de Estado, Comandantes das Forças Armadas, convidados e familiares, foi entregue a Medalha do Pacificador.
Depois do dispositivo pronto, um senhor idoso, apoiado em uma bengala, vestindo roupas escuras e gravata preta, portando em seu peito a Medalha do Pacificador, atravessou toda a frente do dispositivo até o local onde estava a autêntica espada do Duque de Caxias. Com lágrimas nos olhos, retirou a medalha do peito, elevou ao alto, à frente, à esquerda e à direita. Depois de beijá-la, colocou-a no seu antigo estojo e a depositou aos pés da coluna onde estava a espada de Caxias. Voltou, passou silenciosamente pela frente do dispositivo, indo sentar-se na arquibancada de cimento, diante do palanque.
Perguntado por que devolveu a medalha, respondeu que ela havia sido desonrada e desprezada, em flagrante desrespeito à figura do insigne patrono do Exército, o Duque de Caxias, por já ter sido distribuída a pessoas que não mereciam tal honra. Disse mais, que, se a recebeu num ato solene, seria justo devolvê-la também num ato solene.
Esse senhor idoso é o coronel de Infantaria Reformado/Inválido Cícero Novo Fornari. Na época tinha 74 anos, desses, 43 de serviços prestados ao Exército e à Pátria.
A imprensa divulgou o fato em poucas linhas, mas eu o destaquei pela sua atitude digna e corajosa em meu livro Trincheiras Abertas, que lhe chegou às mãos por um amigo. Em dia recente, ligou-me de Brasília, onde mora, para agradecer-me e perguntar-me se eu tomara conhecimento do que lhe aconteceu depois daquele fato. Respondido que não, contou-me que, durante um passeio com a esposa pelas ruas de Brasília, resolveu entrar em uma loja de antiguidades – uma mistura de velhos objetos com brechó.
Apoiado pela bengala visitava prateleiras e balcões, olhando as mais variadas quinquilharias e artigos ali expostos, parando em frente a uma redoma de vidro onde estavam diversas medalhas militares, cuidadosamente alinhadas num feltro verde. Atento, o dono da loja aproximou-se, cumprimentou-o e passou a discorrer sobre o histórico das medalhas, as suas origens, quem as mereciam..., e, por fim, perguntou se ele desejava comprar uma. Apesar de não ter obtido resposta, sabia que iria negociar com aquele homem calado, pois já vira aquele brilho nos olhos de muitos clientes. Abriu a tampa da redoma e continuou com a explicação, mostrando-lhe a medalha da Primeira Guerra Mundial, da Segunda, do Serviço Amazônico...
Tentava cativar aquele cliente que parecia paralisado, que ainda não abrira a boca, mas também não tirara o brilho dos olhos, e, então, o vendedor apontou o dedo para uma Medalha do Pacificador e perguntou se ele lembrava do caso daquele coronel do Exército que devolveu a sua Medalha do Pacificador numa cerimônia em Brasília, depositando-a junto à espada de Caxias, sob o olhar e o silêncio dos presentes.
O coronel levou um choque. Ergueu a cabeça para aquele homem gentil e educado, que evocava lembranças de um fato da sua vida. Valeu-se da bengala para melhor firmar as pernas trêmulas das muitas jornadas, e contendo a emoção falou pela primeira vez desde que entrara naquela loja: "Não me lembro, mas deve ter sido um velho "gagá", meio maluco, pra fazer isso!"
Surpreso, o dono da loja retrucou-lhe com veemência, dizendo que ele estava enganado, pois o coronel era um homem honrado e tomou uma atitude digna naquele dia, uma vez que essa medalha passou a ser concedida a pessoas que não preenchiam os requisitos para tal, perdendo, assim, o seu valor.
O coronel sorriu, mostrou-lhe a identidade, e disse-lhe: "Pois saiba o senhor que esse coronel está à sua frente. Fui eu quem devolveu a medalha".
O coitado do homem ficou pasmo, olhou para a identidade, olhou para o coronel e, num gesto largo e espontâneo, abraçou-o. Imediatamente pegou a medalha, empertigou-se, esboçou um gesto solene e prendeu-a no peito do coronel, dizendo-lhe: "Ela é sua! Estou devolvendo-a para o lugar de onde nunca deveria ter saído".
A surpresa agora era do velho e experiente militar. Quis impedir-lhe o gesto, mas não conseguiu. Tentou pagar-lhe o valor da medalha, também não conseguiu... E o vendedor, com um sorriso largo, disse-lhe: "Coronel, o senhor mereceu essa medalha pelo seu trabalho e dedicação à Pátria. Estou feliz por devolvê-la".
Os dois velhos emocionados se abraçaram. O coronel agradeceu-lhe, juntou-se à mulher e, com passos lentos, auxiliados pela bengala, retirou-se da loja, levando a sua Medalha do Pacificador no peito. Certamente também levava os olhos marejados.
Atrás dele, um homem feliz pelo resgate que fizera naquela tarde observava-o partir, tendo a certeza de que aquele foi o seu melhor negócio do dia.
Gesto isolado, sem pompa e sem testemunhas. Mas nobre e grandioso, porque esculpido na dignidade das suas atitudes, provando que os valores morais são cultuados por homens, não por sombras.
Nem tudo está perdido.
Emerson Rogério de Oliveira
Militar Reformado e Escritor
E-mail: emersonroli@terra.com.br


